Glioblastoma Multiforme

De 1994 a 2017 tratamos cirurgicamente quase 200 casos de glioblastoma multiforme (GBM) e astrocitoma anaplásico, sendo que a prevalência maior relativo ao GBM foi no sexo masculino, idade entre 55 e 70 anos, idade média 64,3 anos. O sintoma principal de início foi crise convulsiva e cefaléia. O gliobastoma pode ser classificado como primário ou secundário, a depender se é originário da evolução de um astrocitoma de baixo grau de malignidade. Está associado a alteração do P53, presença de marcadores como galactina, mutação do MGMT (favorável ao tratamento quimioterápico com temodal, agente alquilante) e mutação do IDH1, prognóstico favorável . Há muitos estudos biomoleculares que envolvem aquaporina, células tronco, ciclinas, moléculas de adesão como as metaloproteinases, porém todos experimentais sem evidência de classe I prognóstica. O diagnóstico, mostra que além do quadro clínico, a Ressonância magnética, a espectroscopia e a perfusão devem ser utilizadas. Para o planejamento cirúrgico a tractigrafia e a ressonância funcional podem ser úteis. O tratamento padrão consiste de cirurgia a mais ampla o possível e segura, A cirurgia deve ser realizada de preferência com monitoração eletrofisiológica, guiada por neuronavegação, e durante a cirurgia usarmos ultrassom intraoperatório. O aspirador ultrassˆnico ajuda a se obter uma ressecção mais ampla e segura. O tratamento complementar inclui radioterapia conformacional e em lesões pequenas cabe radiocirurgia. Hoje o tratamento padrão envolve quimioterapia com Temozolamide, agente alquilante, e nas formas recidivas existe protocolos com Irinotecam e Bevacezumab, sendo que ainda em caráter não consensual. A sobrevida média têm sido entre 12 a 18 meses, com qualidade de vida nos primeiros 12 meses e depois um declínio neurológico progressivo, porém há relatos de casos com sobrevidas maiores, sendo que os císticos por exemplo tem um prognóstico melhor. Tratamentos alternativos como fosfoetanolamina e álcool perílico carecem de evidência científica razoável. Canabidióides parece ter um efeito adequado na contenção de crises e está em estudo como adjuvante da quimioterapia e radioterapia, funcionando como imuno modulador a principio. Em casos de tumores em áreas funcionais a ressonância intraoperatória é um armamentário extremamente útil.